Marcas tradicionais continuam no topo da Semana de Moda Masculina de Milão

Versace, Marni e Ermenegildo Zegna são os destaques da mais recente temporada italiana.

Entre os dias 14 e 17 de Junho os holofotes da moda mudam de Florença, onde estava acontecendo a Pitti Uomo, para Milão. A cidade capital da moda feminina italiana apresenta as coleções masculinas para a temporada verão 2020 em 26 coleções. Veja abaixo os destaques desta semana de moda.

ERMENEGILDO ZEGNA

Trabalhando com nylon e lã reciclados e minimizando processos de desperdício de matéria prima, Ermenegildo Zegna trabalhou com um cartela de clores clássica na moda masculina, baseada entre outras cores em mostarda, preto, cinza e bordô. As texturas de couro e a escolha de acessórios (as boinas <3) garantem um ar jovem a coleção.

FENDI

A coleção assinada por Silvia Venturini Fendi foi inspirada no universo da jardinagem ocidental e japonesa. A partir do tema você já deve imaginar qual são ons tons terrosos e as texturas de treliça utilizadas pela marca nesta temporada. O desfile foi realizada nos jardins do Palacio Realle sob uma passarela de cascalhos.

VERSACE

Mais Versace do que nunca, esta coleção desenhada por Donatella Versace utiliza de todos os códigos da marca para apresentar ao publico uma enorme variedade de peças masculinas e femininas. As jaquetas de couro com franjas, as estampas de oncinha e as multicoloridas estampas rococós características da marca compõe o visual dos meninos roqueiros de cabelo coloridos em paletas neon.

O futuro esta acontecendo agora em Londres

Veja os destaques da Primavera / Verão 2020 desfilado esta semana

Entre os dias 7 e 10 de junho, aconteceu na capital inglesa a Semana de Moda Masculina primavera / verão 2020. Com mais de quarenta desfiles, esta edição continuou fortalecendo a cidade como capital da alfaiataria e da moda masculina de vanguarda. A maioria dos desfiles são de marcas jovens, com uma visão bem clara de futuro, libertos de antigos padrões e reconectados com o desenho de moda provocador.

Separamos o top 5 desfiles de Londres, com nomes que você certamente ouvira falar muito nos próximos anos.

ICEBERG

A italiana Iceberg é conhecida pelas roupas esportivas e por sua linha de roupas de inverno. Nesta temporada, o estilista britânico James Long levou a Iceberg para uma viagem colorida e lisérgica, que flerta com o exagero dos anos oitenta. Iconesda cultura pop norte americana e personagens da looney tunes são estampados/bordados em peças esportivas em cores flúor.

BETHANY WILLIAMS

Com formação na prestigiada London College of Fashion, a estilista britânica ficou conhecida no mundo da moda já na sua coleção de graduação. Ela reutiliza materiais de descarte e realiza uma pesquisa imensa de novos produtos e processos sustentáveis na moda, além de contribuir para projetos sociais no sua cadeia de produção. Nesta coleção, Bethany apresenta tricôs e peças com formas orgânicas, criando uma sofisticada sequencia de peças sem gênero e com proposito. Ah, já ia me esquecendo, ela é finalista do prêmio LVMH deste ano.

CRAIG GREEN

É difícil imaginar a moda masculina do futuro sem pensar no trabalho de Craig Green. Seja trabalhando em sua marca, ou na imensidão de parcerias que realiza, o estilista brinca mais do que ninguém com todos os códigos da moda masculina. Sempre flertando com o utilitário, suas peças sempre são recheadas de bolsos, cintos e pendentes. Formado pela Central Saint Martins, o estilista foi venceu o British Fashion Awards três anos seguidos. Nesta estação, a silhueta caixa já trabalhada por ele em outras estações, abriu a passarela evoluindo para questões mais impalpáveis. Recortes coloridos, xadrez estampado e camuflados gráficos preencheram as ousadas modelagens que certamente figurarão o guarda roupa do homem do amanha.

CHARLES JEFFREY

Londres é o berço do punk, da contracultura, dos Sex Pistols e de Vivienne Westwood. Neste imenso caldeirão expoente de tudo que existe de mais visceral esta o trabalho de Charles Jeffrey. Filho criado (ou mal criado) da Central Saint Martins, o estilista desafia o mercado da moda, colocando em sua passarela pinturas vivas, cobertas com composições inimagináveis. No meio da Biblioteca Britânica, estampas saem das peças e ganham a pele dos modelos, irreconhecíveis sobre o manto romântico e agressivo que são suas roupas. Um sapato social pode até estar lá, mas só se acompanhado de meia arrastão.

A-COLD-WALL

A marca, comandado por Samuel Ross fez um dos mais interessantes desfiles desta temporada. O estilistas que já colaborou com gigantes como Nike e Oakley continua a olhar para o bairro operário e periférico de Londres onde cresceu e desenvolveu seu apuro estético. Sua paleta de cores que varia entre cinza, branco, preto e marrom é pontuada nesta coleção com azul; mixada com estampas em degradê em tons frios. Suas roupas continuam a lembrar uniformes, com pendentes e recortes inesperados, onde a peça não molda o corpo, ela o protege e reconstrói.

Você pode conferir outros desfiles da Semana de Moda Masculina de Londres no nosso instagram.

GUCCI Cruise 2020

Bem no coração de Roma, no mais antigo museu do mundo, a Gucci apresentou hoje sua coleção cruise 2020. Alessandro Michele voltou a sua cidade natal para revelar ao publico seu conglomerado de idéias e referencias para a temporada focada no guarda-roupa de férias europeu.

Ao entrar no interior do museu, cada convidado recebia uma lanterna, que funcionaria como a iluminação da “sala de desfile”.

A mistura criativa desta coleção parte da década de setenta, “Um momento específico no tempo em que diferentes culturas foram misturadas. Foi um momento histórico em que as mulheres – finalmente – rejeitaram todas as restrições que foram impostas nos séculos anteriores e se tornaram livres.” revelou Michele em entrevista cedida ao site WWD.

Algumas peças vinham com mensagens de protesto, como a camiseta com a data 22/05/1978, dia onde a legislação de proteção social materna e aborto entrou em vigor na Itália. Um blazer purpura vinha com a mensagem “my body, my choice”, slogan feminista da década foco do estilista.

 “É inacreditável que, em todo o mundo, ainda haja pessoas que acreditam que podem controlar o corpo de uma mulher, a escolha de uma mulher. Eu sempre estarei atrás da liberdade de ser, sempre”

Estampas recortadas de Mickey apareciam estampadas em bolsas, suéteres e mixadas ao floral de fundo branco característico da marca. A grande mistura de tecidos e texturas, bordados localizados e profusão de babados em contraponto ao cabelo quase sempre natural dos modelos transformam o desfile em um sentimento “não-lugar”, nada ali é prontamente reconhecido ou justificado.

A coleção manteve imagens características da “nova era” da Gucci. As referencias vem de todos os universos possíveis, é possivel perceber uma gola padre aqui, uma cinta de castidade ali, uma coluna romana acolá. Sobreposições de peças, o uso de acessórios combinados e descoordenados e o visual retrô continuam assegurando o desejo internacional instantâneo da marca.

Fotos: Salvatore Dragone para Gorunway.com / Reprodução.

SIMONE ROCHA: o feminino, o tecido e a memória

O inverno da estilista é pautado na poética de Louise Bourgeois

A estilista irlandesa Simone Rocha é um dos nomes mais aguardados na Semana de Moda de Londres. Com pouco mais de trinta anos de idade e alguns prêmios na estante (ela foi eleita a estilista de moda feminina de 2016 pela Câmara de Moda Britânica), Simone conseguiu demonstrar em seus anos de carreira como pensar o feminino é o centro de suas criações.

A formação inicial de Simone foi em sua Dublin natal, onde cresceu em meio ao ateliê de seu pai, o também estilista John Rocha. Após terminar sua graduação, a estilista entrou para o mestrado em moda da prestigiada Central St. Martins, em Londres, mesma instituição que formou nomes como Stella McCartney, John Galliano e Alexander McQueen.

Em sua última coleção, desfilada no dia dezesseis de fevereiro, Simone Rocha mostrou em quarenta e quatro entradas a história que criou para o seu outono/inverno 2019.

Inspirada pelas dualidades do feminino, a estilista trabalhou com sobreposições de transparências, bordados e a justaposição da lingerie em contraste com vestidos fluidos.

Acessórios de cabelo que se assemelhavam a coroas e sapatos de couro garantiam o contraste entre o leve e o pesado, o sonho e a realidade.

Mulheres de diferentes idades, etnias e corpos vestiam roupas que podem estar no guarda roupa de qualquer geração da mesma família. Por mais que as peças possuam uma feminilidade pueril intrínseca, a estilista constrói significados misturando texturas e tecidos, bordados e estamparia digital, afirmando que sua inspiração vem de uma mulher extremamente contemporânea.

A discussão do feminino presente no trabalho da artista francesa Louise Bourgeois ajudou Simone Rocha a construir a base gráfica e conceitual da coleção. A estampa em forma de teia de aranha foi desenvolvida em parceria com o instituto da artista falecida em 2010 e está presente em vestidos e casacos.

Vermelho, preto e branco predominam dentre as roupas, dando vez em alguns pontos a estampas florais multicoloridas, diluídas a partir das tapeçarias que Louise Bourgeois criou nos seus últimos anos de produção artística.

Assim como Louise Bourgeois, Simone Rocha faz em suas criações uma reflexão profunda sobre o papel e o poder da mulher, redesenha suas memórias e discute padrões. A moda flerta com a arte, a trama do tecido é relacionada ao humano, os sonhos e os medos são vestiveis.

SEM FOTOS, POR FAVOR!

O laboratório criativo da moda parisiense recheado de brilho, sarcasmo e tradição.

Duas vezes por ano, acontece em Paris a semana de moda de alta-costura. O conjunto de desfiles antecede a semana de moda de prêt-a-porter, que apresenta coleções que logo estarão “prontas para vestir” nas lojas. Rainhas, Princesas e posteriormente mulheres da alta sociedade parisiense, iam até as casas de moda encomendar roupas que levariam semanas ou até meses para serem feitas, ajustadas no corpo durante várias provas, garantindo assim a perfeição do traje. Estamos falando de uma época onde não existiam lojas de roupas, mas sim, lojas de tecidos. O produto final que iria figurar o guarda roupas de todas as mulheres e homens ainda passaria pelas mãos das costureiras, que transformavam o tecido plano em um sonho vestível tridimensional.

Com o passar dos anos, um seleto grupo de costureiros adquiriram prestígio e construíram impérios de moda que levavam seus nomes. O pioneiro Paul Poiret, ficou conhecido por inventar a silhueta do século XX, liberando a mulher do espartilho; abrindo espaço para nomes como Pierre Cardin, Christian Dior, Coco Chanel e finalmente o argelino Yves Saint Laurent, ditarem as regras da moda.

Foi Saint Laurent, que em 1966 abriu a Saint Laurent Rive Gauche, uma loja de roupas prontas, confeccionadas a partir de moldes base, que passando por um sistema de gradação de medidas, podiam adaptar se a diferentes corpos, dispensando assim excessivas provas e barateando a produção. Muitos torceram o nariz e enlouqueceram só com a ideia de ter uma roupa que não era única, mas a “nova moda” consolidou se fazendo sucesso e sendo aceita no mundo todo.

Mais de cinquenta anos da invenção do prêt-à-porter, a alta-costura ainda continua relevante. Após ter passado por diversas crises (criativas e financeiras), este mercado de luxo veio adaptando se à nova demanda do mercado da moda, percebendo que nenhuma marca sobrevive vendendo vestidos que facilmente atingem cem mil euros, para uma das duzentas consumidoras ao redor do globo que possuem poder aquisitivo para adquirir estas roupas.

No final do século XX, a alta-costura seguia vendendo o sonho, roupas cravejadas de diamantes, extravagantes e opulentas. Com a virada do século, os nomes por trás das marcas perceberam que ceder aos códigos da moda de rua e aproximar-se digitalmente dos seus consumidores era extremamente necessário. Desde então vimos tênis, fones de ouvido e a logomania tornarem se comuns nas passarelas mais seletas da cidade luz.

No último dia 21 de janeiro, iniciou a edição primavera/verão 2019 da alta-costura. Mas viva do que nunca, centenas de horas de trabalho foram desfilados mostrando toda a potência dos ateliês de alto luxo parisienses. Construções detalhadas e tecidos quase líquidos, como nos vestidos da Dior, vieram de embate ao já tradicional tule, que segue como tendencia em mais uma temporada (de desfiles e premiações, é claro). O mesmo tule que cria um ar etéreo no desfile de Giambattista Valli é usado como base para as frases sarcásticas como “Eu não sou tímida, apenas não gosto de você” e “Desculpe se estou atrasada, eu não queria vir” estampadas nas peças da dupla holandesa Viktor & Rolf.

DIOR

VIKTOR & ROLF

Zuhair Murad e Elie Saab continuam a desfilar suas jóias: vestidos que levaram até 1000 horas para serem produzidos, dignos das maiores celebridades de Hollywood e também de suas poderosas clientes.

ELIE SAAB
ZUHAIR MURAD

Karl Lagerfeld escolheu fechar o desfile da Chanel com uma noiva clássica: de branco, com um longo véu e maiô, afinal, a alta-costura é uma festa. A estilista Iris Van Herpen continuou sua trajetória estudando tecidos, desenvolvendo tramas e criando imagens de moda fortes e cerebrais. O futuro que sempre está no nosso imaginário é passado nas criações da holandesa.

CHANEL

IRIS VAN HERPEN

Finalizando a semana de alta-costura, Pierpaolo Piccioli mostra sua delicada coleção para a Valentino com um conjunto de modelos diverso que dominam o lindo cenário onde aconteceu o desfile. Vestidos infinitamente bordados, estampas recortadas e aplicadas, calças de cintura alta, volumes perfeitos e sobreposições que transformavam as peças nas mais ricas flores, foram desfilados para uma plateia repleta de celebridades emocionadas e pelo próprio Valentino Garavani, criador da marca. No último segundo, Naomi Campbell cruza a passarela com um vestido preto e transparente de tirar o fôlego. A alta-costura está mais viva do que nunca.

VALENTINO